Salvem o lince da Serra da Malcata...

Lembra-me isto uma altura em que o Governo de Madrid enviou para Portugal um cavalo andaluz, para ajudar a cobrir as éguas lusitanas. Vários donos de coudelarias nacionais ficaram indignados com a vinda do macho espanhol, como se não houvessem cá de sobra. Na altura, Aznar, presidente do Governo de Espanha, chegou a referir-se ironicamente ao asasunto numa conferência de imprensa, fazendo uma piada grossa sobre os «huevos» (nós chamar-lhe-íamos «tomates») dos machos lusitanos. O cobridor espanhol voltou às origens sem chegar a corresponder cá às elevadas exectativas que Aznar nele pôs (talvez timidez), mas a raça dos cavalos lusitanos continua pujante, com o snague (e o sémen) do País.
Os linces, no entanto, parecem ser mesmo necessários, perante o desaparecimento dos nacionais. Mas também no final dos anos 40, quando esteve de moda combater a conseguinidade nos animais, e a raça dos cavalos andaluzes desapareceu, foi preciso mandar para lá uns lusitanos que uns quantos carolas insistiram por cá em produzir. Estamos compensados, sem vergonha de ninguém quanto a «huevos» (ou «tomates») de machos cobridores, de um ou outro país (salvo o caso do tal andaluz improdutivo). E, como Aznar está retirado, não se esperam agora comentários de pior gosto - ainda por cima sem correspondência com a realidade macha de Espanha.